terça-feira, 23 de agosto de 2011
O barco partiu
Levou a paixão
Ainda não voltou
Na areia busco ternuras
Ao sal me estendo
E me entendo
Quem sabe de ti
A casa voltaste
Ainda agora te perdi
Se te cansaste
Deixa-me saber
Para te esquecer
terça-feira, 2 de agosto de 2011
Rio salgado

Tenho-te na calha.
sexta-feira, 15 de julho de 2011
quarta-feira, 18 de maio de 2011
segunda-feira, 2 de maio de 2011
Infinitum
quinta-feira, 28 de abril de 2011
Chá de flores e amores
quarta-feira, 27 de abril de 2011
De viagem
Sentam-se e sentem-se.
Inspiram e suspiram.
Está sol e o vento forte e frio e levanta saias e arrebata chapéus.
É época de românticos e sente-se um cheiro doce no ar a ideais franceses.
Da esplanada, assistimos aos rituais que permanecerão no tempo a que voltaremos de regresso ao futuro.
Todos se cumprimentam com um aceno ou inclinar de peito honrado e fingidamente humilde.
Elegantes, vestem-se azul escuro e usam sapatos afilados pretos.
Montras exibem senhoras redondas agora reflectidas esguias e altas, como espelhos mentirosos das feiras que inundaram em tempos a cidade.
Agora é tudo fino e falacioso.
O presente ostenta-se melancólico e cheio de ânsias, sexuais e outras.
O futuro aspira-se numa mistura de teorias que poucos entendem.
O passado todos esqueceram mas dizem que não, que o temem como bolorento que é!
E nós, de viagem por este tempo, sem tão pouco moderarmos as nossas realidades presentes, passadas ou futuras(?).
Antes o sonho.
sábado, 23 de abril de 2011
domingo, 10 de abril de 2011
Amor de monção
Soprava um vento morno quando tu prometeste que me chamavas na volta de um dia em que o tempo fosse fora de estação. Vivia-se então a era da música cheia de emoção.
Naquela paz que habita as paisagens do deserto de tanta areia como de devoção, fui jovem e ingénua e velha e sábia do teu lado. Não houve momento em que não me perdesse, prendesse e aprendesse. No meu tom canto agora, ao teu ritmo tocas por certo e por perto, como antes de a nossa música ter ao céu chegado e nele entrado. Ficámos então ditos livres, mas despidos um do outro.
E veio o choro então calado, agora em vidas que renascemos. Sorrio a que voltes em dia de monção digna de menção, e nesse me reconheças. Chova alegria nos campos, cresçam flores na palma da minha mão. Depois dessa tempestade desigual, desperte o sol que te brilhou pela primeira vez.
Foram horas e minutos em que não senti solidão, apenas restos de cansaço à espera da aurora. Estendi a mão ao destino, que sempre me pareceu antigo, e levantei a minha oração. Que saudade de receber uma vida de benção. Venham as noites que novos dias darão. Haja chuva ou vento de verão, cedo ou tarde dançaremos.
sábado, 26 de março de 2011
Estado de Alma
domingo, 20 de março de 2011
Rima fácil não é canção, não é dizer, é deixar-me ser
terça-feira, 15 de fevereiro de 2011
Deixa-te voar
terça-feira, 1 de fevereiro de 2011
Erva daninha ou o drama indomesticável
Tantas vezes lhe disse com um olhar que não está para perder tempo com indecisões, meias palavras, falhas de engrenagem e silêncios prolongados, a essência da falta de interesse. Com fantasias egóicas que parecem revelações ou o que é, que não são mais que pequenas emoções amenas, insonsas, de quem vive encapuçado até à ponta de cabelos eriçados de tanto medo do compromisso, e de largar o que se prende por pura autosimpatia e narcisismo! Qual compromisso! Se tudo o que ela queria era a cristalina abertura às possibilidades; a viagem... e não o destino.
Já foi alguém que dançou na espera de um pouco de romance... Agora apaga o rádio da ficha e descansa no silêncio. Segue-se o enterro, mas ela não comparece. Morre um sonho e crescem flores no seu jardim.
segunda-feira, 31 de janeiro de 2011
Uma canção melhor
Sente bem a hipótese de um futuro melhor vislumbrar na sua intuição.
sábado, 15 de janeiro de 2011
Três estranhos na marginal
sexta-feira, 14 de janeiro de 2011
Last night's dream
I've come to track
And I'm finally back
And when our band started to play
The orchestra's chest order was on our time
Order to set us free
Running horses wild
That age we were queens
Fighting evil of all kinds
I know it was a dream
But now I recall those days
Playing with manners
Just toys
But we made them flags
For honor and good
White dresses and standing stairs
Temples and promisses
Of loyalties
Back there we were royalties
sábado, 16 de outubro de 2010
Noite perdida
Soubesses tu, noite perdida, noite escura e fria…
Ontem sonhei que dormias a meu lado.
Levada ao colo, deixei-me cair nos teus braços.
Em abraços nus que ao longo dos dias se repetiam.
Adormeci e o que eu perdi sem ver as luzes que o dia reflectiam.
E nessa noite, entre tantas outras…
Corpos enlaçados em constelações de pessoas a dançarem.
A vida fugidia guardada na minha mão.
O amor que se consome antes dos dias nascerem.
Noites a fio que não passaram de uma ilusão.
Se tu nasces eu adormeço sem abraços.
Fingisse eu não ser tua, fugisse de ti pela rua!
Era tudo igual.
Noite perdida pelas escolhas que se fazem.
E eu que só queria sentir os teus braços…
Noite perdida, noite escura e fria, se tu nasces eu morro.
Eu quero ver o sol raiar!
sexta-feira, 24 de setembro de 2010
Janela aberta
Abriu-se de par em par
Faça-se dela porta
E jardim com estrelas a brilhar
Aquela tímida janela
E o espelho em frente
São vista para a imensidão do teu olhar
São beijos arrancados
Na promessa de haver sempre
Uma porta aberta
Para aquela estrada
Para aquele lugar
Janela tímida, janela aberta
Deixa-me por ti olhar
Deixa-me entrar
Abrir aquela porta
Andar nesta vida contigo de mão dada
Deixa-me entrar
Deixa que te assome e transforme
Abra-se essa porta
Para veres o sol brilhar
Que a tua vida se mostre
Nesta e naquela nota
E aquela porta
Se abra de par em par
Deixa que te assome e transforme
Abra-se a tua porta
Comigo por teu par
quinta-feira, 9 de setembro de 2010
O Quadro

Eu balanço no regaço do meu sonhar e me baloiças ao colo, anunciando a criança querida, enfim nascida, descendência das estrelas, que outrora fomos e que ainda guardamos no coração. Demonstras ramo de flores variadas e perfumadas como as cores e os humores da nossa humana condição e que são prova arrancada da nossa paixão. E tu olhas com respeito o céu, homenageando-o, buscando sua aprovação. Um barco de papel que flutua no mar em que me banho vestida de puro branco é carta de amor já lida e percorrida como a letra de uma canção, o cunho da promessa partilhada ao longo das horas. Talvez apenas a ilusão de que me pertence essa carta… E escondido nas flores, o espírito protege o observador e o amor da desilusão, guardião da mudança de estação, poeta de meu coração. Como lugar sagrado o sol num prado paradisíaco de mil sabores e mais as cores das flores. E flores, outras, sobem em coroa ao céu nas mãos devotas de quem acredita que da alma há sempre mais para viver, mesmo que sem se ver. Asas de anjo dão alento ao meu triste olhar que se perdia em dores por quem perdi, até que chegasses para me fazer compreender, finalmente, que o amor vem mais uma vez. És quadro inacabado, sinal de aviso prudente que a vida somos nós quem a pinta. E, lá ao cimo, talvez não tão próximos, os montes adensam-se alegres e fantásticos em êxtase, por ter finalmente chegado a hora dos corações.