domingo, 13 de janeiro de 2019
Há na fé
entre todos os devaneios
veio a mais sublime certeza
De todos os objectivos
entre os mais variados fins
não há limite na alma
A alma que quer e almeja
sempre encontra um caminho
e o Homem cumpre-se
Há em cada ser
a visão de se cumprir
de se evoluir e de se suprir
Como em busca de um sentido
de uma aspiração superior
iremos sempre conseguir devir
Haja a paixão e a tranquilidade
e o sonho será gente viva
sempre pronto para a eternidade
quinta-feira, 10 de janeiro de 2019
Rima de coração
A benesse vedada
falta a fé
falta a gratidão
falta acreditar que já o tens na mão
Amor
Não falta amor
faltasse antes o pavor
O pavor de ser feliz de vez por uma vez
Tens medo de viver e morrer de tanto viver
Daquela morte da carne
Que leva o espírito daqui para fora
Para perto de ti mesmo
Deixa a vida correr
Pára de fugir
É agora
da minha igreja
que tanto pode ser esta
como outra qualquer
desde que esteja viva
desde que seja verde
tenha folha e tronco
Folha branca onde te escrevo
cartas de amor de fio e pavio
de um amor que não se descreve
embora se enleve
Deixa-me lá morar
dentro daquele altar
que é o teu coração
cheio ou vazio
Naquela igreja bendita
Que é a floresta ou a mesquita
terça-feira, 25 de outubro de 2011
Foram círculos à espera que se quebrassem feitiços e são feitiços quebrados em nome de um novo ciclo.
É estranha a forma como falamos sempre do mesmo... Estaremos fechados nessa pequena espiral a que chamamos individualidade, ou será individualismo puro e simples?
Se desejarmos o novo será que ele vem?
Se escrevermos, se pintarmos e cantarmos e se escolhermos o novo será que ele passa a existir?
São tantas as citações sobre a mudança que não me apetece falar dela.
Quero apenas saber.
Saber se temos esse poder.
A minha resposta será: só experimentando.
E aqui vai. Não vou escrever poesia. Não vou escrever sobre a escrita, nem tão pouco contar um conto. Também não vou deixar mais que as mãos falem mais depressa que o meu pequeno mas infinito cérebro.
Quero apenas o novo e já não quero ter sono...
quarta-feira, 19 de outubro de 2011
O sábio
O sábio respondeu "a terra brotar flores".
Perguntaram-lhe então o que era a felicidade.
O sábio respondeu "a lua ver o sol raiar".
Depois perguntaram o que era a realização e ele disse "observar cada uma destas coisas".
Quando fores falar com um sábio leva-lhe o coração e um dicionário :)
terça-feira, 23 de agosto de 2011
O barco partiu
Levou a paixão
Ainda não voltou
Na areia busco ternuras
Ao sal me estendo
E me entendo
Quem sabe de ti
A casa voltaste
Ainda agora te perdi
Se te cansaste
Deixa-me saber
Para te esquecer
terça-feira, 2 de agosto de 2011
Rio salgado

Tenho-te na calha.
sexta-feira, 15 de julho de 2011
quarta-feira, 18 de maio de 2011
segunda-feira, 2 de maio de 2011
Infinitum
quinta-feira, 28 de abril de 2011
Chá de flores e amores
quarta-feira, 27 de abril de 2011
De viagem
Sentam-se e sentem-se.
Inspiram e suspiram.
Está sol e o vento forte e frio e levanta saias e arrebata chapéus.
É época de românticos e sente-se um cheiro doce no ar a ideais franceses.
Da esplanada, assistimos aos rituais que permanecerão no tempo a que voltaremos de regresso ao futuro.
Todos se cumprimentam com um aceno ou inclinar de peito honrado e fingidamente humilde.
Elegantes, vestem-se azul escuro e usam sapatos afilados pretos.
Montras exibem senhoras redondas agora reflectidas esguias e altas, como espelhos mentirosos das feiras que inundaram em tempos a cidade.
Agora é tudo fino e falacioso.
O presente ostenta-se melancólico e cheio de ânsias, sexuais e outras.
O futuro aspira-se numa mistura de teorias que poucos entendem.
O passado todos esqueceram mas dizem que não, que o temem como bolorento que é!
E nós, de viagem por este tempo, sem tão pouco moderarmos as nossas realidades presentes, passadas ou futuras(?).
Antes o sonho.
sábado, 23 de abril de 2011
domingo, 10 de abril de 2011
Amor de monção
Soprava um vento morno quando tu prometeste que me chamavas na volta de um dia em que o tempo fosse fora de estação. Vivia-se então a era da música cheia de emoção.
Naquela paz que habita as paisagens do deserto de tanta areia como de devoção, fui jovem e ingénua e velha e sábia do teu lado. Não houve momento em que não me perdesse, prendesse e aprendesse. No meu tom canto agora, ao teu ritmo tocas por certo e por perto, como antes de a nossa música ter ao céu chegado e nele entrado. Ficámos então ditos livres, mas despidos um do outro.
E veio o choro então calado, agora em vidas que renascemos. Sorrio a que voltes em dia de monção digna de menção, e nesse me reconheças. Chova alegria nos campos, cresçam flores na palma da minha mão. Depois dessa tempestade desigual, desperte o sol que te brilhou pela primeira vez.
Foram horas e minutos em que não senti solidão, apenas restos de cansaço à espera da aurora. Estendi a mão ao destino, que sempre me pareceu antigo, e levantei a minha oração. Que saudade de receber uma vida de benção. Venham as noites que novos dias darão. Haja chuva ou vento de verão, cedo ou tarde dançaremos.